Trilogia suja de ponta negra


primeiro dia da sua vida.

e ela ali, dançando nua na sala de estar.

esperando estrelas pra quebrar em dois.

 

três dias.

complacente...

e cigarros.

sempre cigarros

e cigarras.

 

tocando serenatas as 3 hrs da madrugada.

sem carros lá fora.

 

e os passaros cantando.

 

acho que você esqueceu uma calcinha aqui.

e aquele isqueiro azul que você tanto gosta.

nós podemos esquecer de tudo depois de algumas garrafas de cerveja.

 

 

nós podemos até dançar dentro delas.



Escrito por Jp às 04h22
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o ano vai já se acabar...

 

 

acho que mudei os nossos planos.

bom, pelo menos mudei os meus.



Escrito por Jp às 03h08
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acho que eu sinto falta dos seus abraços quase diários as sete horas da manhã.

acho que eu perdi o jeito pra abraçar pessoas.

acho que eu deveria parar de fumar e comer porcaria...

 

talvez ela dissesse:

- ninguém é tão sozinho do jeito que você sozinho.

 

e você tem razão

eu nunca te amei.



Escrito por Jp às 02h43
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- it´s it joel, gonna be gone soon.

- i know.

- and what we do?

- enjoy it.

 

 

nunca vou me cansar de ouvir isso.



Escrito por Jp às 04h07
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talvez uma mentira seja tudo que eu precise algumas vezes

 

você contou a maior, a melhor de todas.



Escrito por Jp às 02h12
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trechos perdidos de um diário fudido.

algum dia de algum mês de algum ano.

 

a cidade é cheia de fumaça. as velhas caminhadas em velhas praças.

prédios demais cheios de gente.

e eu aqui escrevendo minhas crônicas pra ninguém e Deus lá em cima bebado jogando dados pra todo mundo.

e são sempre pessoas demais.

lá fora, nos prédios. e eu ainda não gosto tanto assim de poesia.

nem de festas.

cansei de rolés de sexta, de embalos de sabado a noite.

a velha beleza falsa do dia pela noite.

 

quais são mesmo os meus amigos?

 

quem é que eu devia amar mesmo?

 

pessoas demais.

além do que você pode aguentar.

 

elas vem. você se aprofunda nelas, como quem cai em um buraco, e quando você está quase chegando no coração delas elas correm.

é como perseguir ondas, como contar estrelas.

 

feriados na praia, aplausos e vaias.

fogos de artificio na virada do ano.

pessoas demais.

 

demais.



Escrito por Jp às 03h41
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e todo mundo acaba indo embora.

e a trilogia é sempre suja, sempre.

 

e eu continuo indo embora antes da festa acabar.

 

. . .

é, todo mundo acaba indo embora.



Escrito por Jp às 02h33
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e eu gosto tanto de você que as vezes eu queria ser tua solidão.



Escrito por Jp às 01h40
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cansei desses filmes de quinta categoria.

 

os farois dos carros dançando junto com a garoa, como se a cidade quisesse dizer que ainda estou vivo.

e eu precisei, ou precisava.

 

qualquer coisa nesses quase vinte anos.

 

tudo bem, por hoje eu vou me contentar em enfiar um cigarro sujo na minha cara feia e deitar no sofá enquanto chove sutilmente lá fora...

pra esperar a morte, ou qualquer coisa que valha.



Escrito por Jp às 01h58
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estranho notar que essas pessoas não sabem quem você é.

 

. . .



Escrito por Jp às 01h18
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eu, o Fante de lagoa nova, com um pouco das quintas amassado no bolso.

 

que queria ter o oceano no chão e as estrelas no teto do meu quarto.

que só dorme de dia. que não ve limites pros cigarros.

 

que queria tocar fogo na cidade.

 

eu que não entendo o que você quer dizer com os seus versos estranhos, e você que não entende o que eu quero dizer com os meus versos estranhos.

 

eu que preferi o sujo. que queria um corpo vazio pra poder trepar a noite inteira.

velho veterano de porra nenhuma, das calçadas cinzas e dos postes imundos.

 

lamentando e cortando pulsos alheios. que preferiu o caminho das putas e dos vagabundos.

 

desgraça.



Escrito por Jp às 03h18
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acredito não ter sido um dos melhores.



Escrito por Jp às 01h35
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hoje morreu um cara que eu jurava que ia viver uns 30 anos a mais que eu.

 

Deus e suas piadas de mau gosto.

 

mas quem sabe, espero que esteja em paz, rodando nas ciclovias do céu.



Escrito por Jp às 23h27
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a loja da esquina está sem minha marca favorita de cigarros.

acho que hoje não vai chover, que pena.

 

a tempestade.

parecia você sentada no piso pintando as unhas de vermelho enquanto o mundo acabava lá fora. a tempestade.

 

fechando meus olhos cheios de medo. eu hesitava enquanto você queria subir pelas paredes.

 

. . .



Escrito por Jp às 02h41
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sujeitinho estranho eu sou.



Escrito por Jp às 00h45
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